A capital, a capital do meu país é uma obra de arte. Começando pelo formato de avião, o que dá a idéia de decolagem. A decolagem do país! Eixo central: todos os poderes, Asa Sul e Asa Norte: as moradas. Cada SQS destina-se a um padrão de vida, a uma classe social, mas tudo está integrado como deveria ser o resto da federação. Toda a arquitetura tem a mão mágica de um arquiteto famoso. Palácio do Planalto todo revirado em obras. Obras onerosas! Claro, o governo tem a chave dos cofres públicos.
A chegada na cidade já impressiona pela frota de aeronaves da República. O aeroporto em formato circular é lindo, mas não é funcional, pois ao primar por estilo, perdeu-se em espaço nos saguões de embarque, onde todos os visitantes ou candangos se amontoam. Ah, sim e tem os espertos também, que conhecem os agentes das companhias e passam na frente de todos furando filas, mas isso é só uma mostra da pouca educação, que não é exclusividade de nenhuma classe.
É uma cidade de monumentos, lindos por sinal, mas me intriga o fato de se gastar tanto na cidade do poder, enquanto a população, nos arredores, se amontoa em cidades satélites descuidadas (um jeito de segregar a pobreza). Isso para não comparar com a real situação de moradia do resto do país.
Intriga-me o fato do atual presidente ter vindo de classe social baixa e não olhar para a distribuição de rendas. Fico pensando: se um presidente que veio do povo não entende a necessidade do povo, o que esperar de um presidente que não conhece dificuldades? Frota aérea, lindos palácios, ao meu ver, não refletem a realidade do todo. Quantas casas não poderiam ser construídas com o dinheiro gastos em obeliscos? Em bustos de homenagem? Em pontes quase flutuantes? Em espelhos d`água que existem em vários pontos da cidade? Enfim, dúvidas, incertezas e divagações.
