sábado, 28 de janeiro de 2012

Exceção

 

Minha avó tinha um contentamento insano
em um, único, dos 365 dias do ano.
Nos outros era resignada
em suas tarefas sagradas:
o cuidadoso cultivo de flores,
para alimentar borboletas e beija-flores;
a mão firme e sempre coesa
em cada ponto do crocê da mesa;
e o preparo dos doces em conservas,
todos aromatizados com finas ervas.
Neste dia,
até champanhe bebia
entre os filhos, netos, bisnetos e noras:
ultrapassando seus limites de velha senhora,
tudo era permitido na grandiosa ceia de natal,
o seu dia literamente desigual.

Urhacy Faustino

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