domingo, 18 de março de 2018

Luas, segunda parte de Gênese Revisitada, poema 22 - ultimo poeminha do livro!!

Segunda parte:    Luas

"Quem se eu gritasse. entre as legiões
de Anjos me ouviria?" 

"Todo Anjo é terrível. No entanto, ai de
mim eu vos invoco pássaros quase
mortais da alma, sabendo quem sois."
Rilke
o maior poeta de Praga, e meu.

Para o anjo viking desta  visitação.


quarto-minguante

 Nesta fase,
eu não escrevo poemas.



Gênese Revisitada, de Urhacy Faustino,
Editora Blocos, Maricá/RJ 1999

quarta-feira, 14 de março de 2018

Luas, segunda parte de Gênese Revisitada, poema 21

Segunda parte:    Luas

"Quem se eu gritasse. entre as legiões
de Anjos me ouviria?" 

"Todo Anjo é terrível. No entanto, ai de
mim eu vos invoco pássaros quase
mortais da alma, sabendo quem sois."
Rilke
o maior poeta de Praga, e meu.

Para o anjo viking desta  visitação.


cheia
terceira terça-feira

Sete vezes cresceu em essênsia.
durante e depois.

Nenhum medo,
nada de dúvida.

Era infinito!



Gênese Revisitada, de Urhacy Faustino,
Editora Blocos, Maricá/RJ 1999

segunda-feira, 12 de março de 2018

Luas, segunda parte de Gênese Revisitada, poema 20

Segunda parte:    Luas

"Quem se eu gritasse. entre as legiões
de Anjos me ouviria?" 

"Todo Anjo é terrível. No entanto, ai de
mim eu vos invoco pássaros quase
mortais da alma, sabendo quem sois."
Rilke
o maior poeta de Praga, e meu.

Para o anjo viking desta  visitação.


cheia
terceira segunda-feira

Sete vezes olhou meus olhos,
durante o tempo.

Nenhum desvio,
nada de cisma.

Era lume!



Gênese Revisitada, de Urhacy Faustino,
Editora Blocos, Maricá/RJ 1999

Luas, segunda parte de Gênese Revisitada, poema 19

Segunda parte:    Luas

"Quem se eu gritasse. entre as legiões
de Anjos me ouviria?" 

"Todo Anjo é terrível. No entanto, ai de
mim eu vos invoco pássaros quase
mortais da alma, sabendo quem sois."
Rilke
o maior poeta de Praga, e meu.

Para o anjo viking desta  visitação.


cheia
terceiro domingo

Sete vezes acordou e sorriu,
durante a visita.

Nenhuma preocupação,
nada de siso.

Era sol!



Gênese Revisitada, de Urhacy Faustino,
Editora Blocos, Maricá/RJ 1999

domingo, 11 de março de 2018

Luas, segunda parte de Gênese Revisitada, poema 18

Segunda parte:    Luas

"Quem se eu gritasse. entre as legiões
de Anjos me ouviria?" 

"Todo Anjo é terrível. No entanto, ai de
mim eu vos invoco pássaros quase
mortais da alma, sabendo quem sois."
Rilke
o maior poeta de Praga, e meu.

Para o anjo viking desta  visitação.


cheia
terceiro sábado

Sete vezes dormiu e sonhou,
durante o cansaço.

Nada atormentou,
nenhum pesadelo.

Era real!




Gênese Revisitada, de Urhacy Faustino,
Editora Blocos, Maricá/RJ 1999

sábado, 10 de março de 2018

Luas, segunda parte de Gênese Revisitada, poema 17

Segunda parte:    Luas


"Quem se eu gritasse. entre as legiões
de Anjos me ouviria?" 

"Todo Anjo é terrível. No entanto, ai de
mim eu vos invoco pássaros quase
mortais da alma, sabendo quem sois."
Rilke
o maior poeta de Praga, e meu.

Para o anjo viking desta  visitação.


cheia
terceira sexta-feira

Sete vezes tocou a pele,
durante todas as horas.

Nada desapercebeu,
nenhum poro;

Era externo!
Gênese Revisitada, de Urhacy Faustino,
Editora Blocos, Maricá/RJ 1999

sexta-feira, 9 de março de 2018

Luas, segunda parte de Gênese Revisitada, poema 16

Segunda parte:    Luas

"Quem se eu gritasse. entre as legiões
de Anjos me ouviria?" 

"Todo Anjo é terrível. No entanto, ai de
mim eu vos invoco pássaros quase
mortais da alma, sabendo quem sois."
Rilke
o maior poeta de Praga, e meu.

Para o anjo viking desta  visitação.


cheia
terceira quinta-feira

Sete vezes tocou o céu,
durante todas as noites.

Nada faltou,
nem comunhão.

Era eterno!
Gênese Revisitada, de Urhacy Faustino,
Editora Blocos, Maricá/RJ 1999

quarta-feira, 7 de março de 2018

Luas, segunda parte de Gênese Revisitada, poema 15

Segunda parte:    Luas

"Quem se eu gritasse. entre as legiões
de Anjos me ouviria?" 

"Todo Anjo é terrível. No entanto, ai de
mim eu vos invoco pássaros quase
mortais da alma, sabendo quem sois."
Rilke
o maior poeta de Praga, e meu.

Para o anjo viking desta  visitação.


cheia
terceira quarta-feira

Sete vezes tocou o sino,
durante os dias.

Nada faltou,
nenhuma queixa.

Era bronze!
Gênese Revisitada, de Urhacy Faustino,
Editora Blocos, Maricá/RJ 1999

Luas, segunda parte de Gênese Revisitada, poema 14

Segunda parte:    Luas

"Quem se eu gritasse. entre as legiões
de Anjos me ouviria?" 

"Todo Anjo é terrível. No entanto, ai de
mim eu vos invoco pássaros quase
mortais da alma, sabendo quem sois."
Rilke
o maior poeta de Praga, e meu.

Para o anjo viking desta  visitação.


quarto-crescente
segunda terça-feira


Banhou sem pressa,
como banham-se os gatos.

Lambeu horas seguidas
e espreguiçou.

Eu, rendido pela língua.

Gênese Revisitada, de Urhacy Faustino,
Editora Blocos, Maricá/RJ 1999

segunda-feira, 5 de março de 2018

Luas, segunda parte de Gênese Revisitada, poema 13

Segunda parte:    Luas

"Quem se eu gritasse. entre as legiões
de Anjos me ouviria?" 

"Todo Anjo é terrível. No entanto, ai de
mim eu vos invoco pássaros quase
mortais da alma, sabendo quem sois."
Rilke
o maior poeta de Praga, e meu.

Para o anjo viking desta  visitação.


quarto-crescente
segunda segunda-feira


Acordou com fome,
como acordam as formigas.

Trabalhou toques safados
e garantiu.

Eu atacado dos nervos.

Gênese Revisitada, de Urhacy Faustino,
Editora Blocos, Maricá/RJ 1999

Luas, segunda parte de Gênese Revisitada, poema 12

Segunda parte:    Luas

"Quem se eu gritasse. entre as legiões
de Anjos me ouviria?" 

"Todo Anjo é terrível. No entanto, ai de
mim eu vos invoco pássaros quase
mortais da alma, sabendo quem sois."
Rilke
o maior poeta de Praga, e meu.

Para o anjo viking desta  visitação.


quarto-crescente
segundo domingo

Sugou a seiva,
como sugam as abelhas.

Fabricou geleia e mel
e saciou.

Eu, despido de forças.

Gênese Revisitada, de Urhacy Faustino,
Editora Blocos, Maricá/RJ 1999

sábado, 3 de março de 2018

Luas, segunda parte de Gênese Revisitada, poema 11

Segunda parte:    Luas


"Quem se eu gritasse. entre as legiões
de Anjos me ouviria?" 

"Todo Anjo é terrível. No entanto, ai de
mim eu vos invoco pássaros quase
mortais da alma, sabendo quem sois."
Rilke
o maior poeta de Praga, e meu.

Para o anjo viking desta  visitação.


quarto-crescente
segundo sábado

Deitou ao lado,
como deitam filhotes.

Aninhou entre braços
e alimentava.

Eu, transpirando leite.

Gênese Revisitada, de Urhacy Faustino,
Editora Blocos, Maricá/RJ 1999

sexta-feira, 2 de março de 2018

Luas, segunda parte de Gênese Revisitada, poema 10

Segunda parte:    Luas

"Quem se eu gritasse. entre as legiões
de Anjos me ouviria?" 

"Todo Anjo é terrível. No entanto, ai de
mim eu vos invoco pássaros quase
mortais da alma, sabendo quem sois."
Rilke
o maior poeta de Praga, e meu.

Para o anjo viking desta  visitação.


quarto-crescente
segunda sexta-feira

Tocou o corpo,
como tocam piano.

Deslizava dedos hábeis
e sabia.

Eu, respirando som.

Gênese Revisitada, de Urhacy Faustino,
Editora Blocos, Maricá/RJ 1999

quinta-feira, 1 de março de 2018

Luas, segunda parte de Gênese Revisitada, poema 09

Segunda parte:    Luas


"Quem se eu gritasse. entre as legiões
de Anjos me ouviria?" 

"Todo Anjo é terrível. No entanto, ai de
mim eu vos invoco pássaros quase
mortais da alma, sabendo quem sois."
Rilke
o maior poeta de Praga, e meu.

Para o anjo viking desta  visitação.


quarto-crescente
segunda quinta-feira

Chegou na vida,
como chegam auroras.

Contornava dourado vivo
e ampliava.

Eu, coberto de rubro.

Gênese Revisitada, de Urhacy Faustino,
Editora Blocos, Maricá/RJ 1999

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Luas, segunda parte de Gênese Revisitada, poema 08

Segunda parte:    Luas

"Quem se eu gritasse. entre as legiões
de Anjos me ouviria?" 

"Todo Anjo é terrível. No entanto, ai de
mim eu vos invoco pássaros quase
mortais da alma, sabendo quem sois."
Rilke
o maior poeta de Praga, e meu.

Para o anjo viking desta  visitação.


quarto-crescente
segunda quarta-feira

Surgiu no quarto,
como surgem anjos.

Brilhava azul intenso
e resplandecia.

Eu, tomado de encanto.

Gênese Revisitada, de Urhacy Faustino,
Editora Blocos, Maricá/RJ 1999

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Luas, segunda parte de Gênese Revisitada, poema 07

Segunda parte:    Luas

"Quem se eu gritasse. entre as legiões
de Anjos me ouviria?" 

"Todo Anjo é terrível. No entanto, ai de
mim eu vos invoco pássaros quase
mortais da alma, sabendo quem sois."
Rilke
o maior poeta de Praga, e meu.

Para o anjo viking desta  visitação.


Nova
terça-feira

Só sensações,
não poderia sequer contá-las.
Eu acordava!

E acordava
a fome de mil cavalos.

Era fato.

Gênese Revisitada, de Urhacy Faustino,
Editora Blocos, Maricá/RJ 1999

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Luas, segunda parte de Gênese Revisitada, poema 06

Segunda parte:    Luas

"Quem se eu gritasse. entre as legiões
de Anjos me ouviria?" 

"Todo Anjo é terrível. No entanto, ai de
mim eu vos invoco pássaros quase
mortais da alma, sabendo quem sois."
Rilke
o maior poeta de Praga, e meu.

Para o anjo viking desta  visitação.


Nova

segunda-feira

Só estrela,
não poucas, mas muitas.
Eu delirava!

E delirava
a crença de mil abraços

Era princípio.

Gênese Revisitada, de Urhacy Faustino,
Editora Blocos, Maricá/RJ 1999

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Luas, segunda parte de Gênese Revisitada, poema 05

Segunda parte:    Luas

"Quem se eu gritasse. entre as legiões
de Anjos me ouviria?" 

"Todo Anjo é terrível. No entanto, ai de
mim eu vos invoco pássaros quase
mortais da alma, sabendo quem sois."
Rilke
o maior poeta de Praga, e meu.

Para o anjo viking desta  visitação.


Nova

Domingo

Só noite,
não muitas, uma única..
Eu sorria!

E sorria
o vaga-lume de mil azuis.

Era tempo.

Gênese Revisitada, de Urhacy Faustino,
Editora Blocos, Maricá/RJ 1999

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Luas, segunda parte de Gênese Revisitada, poema 04

Segunda parte:    Luas


"Quem se eu gritasse. entre as legiões
de Anjos me ouviria?" 

"Todo Anjo é terrível. No entanto, ai de
mim eu vos invoco pássaros quase
mortais da alma, sabendo quem sois."
Rilke
o maior poeta de Praga, e meu.

Para o anjo viking desta  visitação.


Nova

Sábado

Só cobalto,
não via via láctea.
Eu sonhava!

E sonhava
o coração de mil pulsos.

Era processo.

Gênese Revisitada, de Urhacy Faustino,
Editora Blocos, Maricá/RJ 1999

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Luas, segunda parte de Gênese Revisitada, poema 03

Segunda parte:    Luas

"Quem se eu gritasse. entre as legiões
de Anjos me ouviria?" 

"Todo Anjo é terrível. No entanto, ai de
mim eu vos invoco pássaros quase
mortais da alma, sabendo quem sois."
Rilke
o maior poeta de Praga, e meu.

Para o anjo viking desta  visitação.


Nova

Sexta-feira

Só paz,
não havia pernilongo voando.
Eu hibernava!

E hibernava
o uivo de mil lobos.

Era espera.

Gênese Revisitada, de Urhacy Faustino,
Editora Blocos, Maricá/RJ 1999

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Luas, segunda parte de Gênese Revisitada, poema 02

Segunda parte:    Luas

"Quem se eu gritasse. entre as legiões
de Anjos me ouviria?" 

"Todo Anjo é terrível. No entanto, ai de
mim eu vos invoco pássaros quase
mortais da alma, sabendo quem sois."
Rilke
o maior poeta de Praga, e meu.

Para o anjo viking desta  visitação.


Nova

Quinta-feira

Só silêncio,
não tinha relógio aqui.
Eu calado!

E calado
o canto de mil cigarras.

Era descanso.

Gênese Revisitada, de Urhacy Faustino,
Editora Blocos, Maricá/RJ 1999

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Luas, segunda parte de Gênese Revisitada, poema 01

Segunda parte:    Luas


"Quem se eu gritasse. entre as legiões
de Anjos me ouviria?" 

"Todo Anjo é terrível. No entanto, ai de
mim eu vos invoco pássaros quase
mortais da alma, sabendo quem sois."
Rilke
o maior poeta de Praga, e meu.


Para o anjo viking desta  visitação.


Nova

Quarta-feira

Só escuro
não era inverno ainda.
Eu dormia!

E dormia
o fogo de mil vulcões.

Era calmaria.

Gênese Revisitada, de Urhacy Faustino,
Editora Blocos, Maricá/RJ 1999

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

A criação, primeira parte de Gênese Revisitada - poema 07

Primeira parte:    A criação

"no princípio criou Deus os céus e a terra" 
e o poeta se fez.


O sétimo dia

Era semente
e se fez broto  —
inevitável como é o nascimento.

Era sopro
e se fez vento.

Era lento
e se fez veloz.

Era nós


Gênese Revisitada, de Urhacy Faustino,
Editora Blocos, Maricá/RJ 1999

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

A criação, primeira parte de Gênese Revisitada - poema 06

Primeira parte:    A criação

"no princípio criou Deus os céus e a terra" 
e o poeta se fez.


O sexto dia

Era segunda
e se fez feriado  —
inviolável como é o sagrado.

A Cama oferecia conforto,
mas parecia profana, herege...

Não tinha toques
e penetrava todo o corpo,
mas era inocência.

Virou unção.


Gênese Revisitada, de Urhacy Faustino,
Editora Blocos, Maricá/RJ 1999

domingo, 18 de fevereiro de 2018

A criação, primeira parte de Gênese Revisitada - poema 05

Primeira parte:    A criação

"no princípio criou Deus os céus e a terra" 
e o poeta se fez.


O quinto dia


Era escondido
e se fez senhas  —
instigante como é o labirinto.
Foi deixando pistas,
pequenas gotas de sereno:
três para terra sólida,
duas para caminhos de ovos,
uma para o braseiro
e nada para o incerto.

Tinha perigo
e muitos obstáculos,
mas gosto de néctar.

Cauteloso,
fixei o olhar e segui o certo.

Virou ninho.

Gênese Revisitada, de Urhacy Faustino,
Editora Blocos, Maricá/RJ 1999

sábado, 17 de fevereiro de 2018

A criação, primeira parte de Gênese Revisitada - poema 04

Primeira parte:    A criação

"no princípio criou Deus os céus e a terra" 
e o poeta se fez.


O quarto dia


Era suspense
e se fez íntimo  —
interno como é o sêmen,

Exalava cheiro de alfazema,
que suave
tomava o vasto.

Tinha viço
e era verde como a crença.

Virou semente.

Gênese Revisitada, de Urhacy Faustino,
Editora Blocos, Maricá/RJ 1999

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

A criação, primeira parte de Gênese Revisitada - poema 03

Primeira parte:    A criação

"no princípio criou Deus os céus e a terra" 
e o poeta se fez.


O terceiro dia

Era quase
e se fez difícil  —
sutil como é a confiança.

Foi somando
— às vezes retraía —
por sorte, nunca subtração.

Fração a fração se mostrava meio
e se precavia,
mas liberava e libertava.

Da metade,
crescia outra parte dela.

Virou inteiro.



Gênese Revisitada, de Urhacy Faustino,
Editora Blocos, Maricá/RJ 1999

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

A criação, primeira parte de Gênese Revisitada - poema 02

Primeira parte:    A criação

"no princípio criou Deus os céus e a terra" 
e o poeta se fez.


O segundo dia

Era medo
e se fez voragem  —
ávido como é o mar..

Guardava segredos,
que mais selados
ficavam encantos.

Oscilou,
vergou,
amenizou-se...

virou riso.



Gênese Revisitada, de Urhacy Faustino,
Editora Blocos, Maricá/RJ 1999


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

A criação, primeira parte de Gênese Revisitada - poema 01

Primeira parte:    A criação

"no princípio criou Deus os céus e a terra" 
e o poeta se fez.


O primeiro dia

Era letra
e se fez som —
tangível em mim como é o sangue.

Viajou minhas veias
à sua velocidade.

Virou orquestra.


Gênese Revisitada, de Urhacy Faustino,
Editora Blocos, Maricá/RJ 1999



quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Minha mãe

 

Meu passarinho voou. vai com deus mãe. E obrigado pelo amor incondicional nestes meus 45 anos de vida feliz com você. Amor que foi recíproco e intenso. Silvana Veloso, Sergio Henrique, Eduarda Oliveira — com Silvana Veloso e outras 3 pessoas.

Palmira meu pecado puro/ água benta que purifica minha ira... / sou teu lado menino/ teu retrato masculino. ../ tenho até, mãe, teus olhos felinos/ adornados por cílios longos e finos... /sei que me amo, /porque te amo demais. .. /sei que tenho um lado bom /porque sou naco de ti /e teu útero santo me veste.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O planeta vai nos fritar, como fritamos sardinhas

 

 

Tem dias que não durmo. Tantas coisas me vêm ao pensamento que o sono some. Dentro de mim gritam árvores cortadas e animais retirados de suas mães – mães estas muitas vezes assassinadas como as mães primatas. Repenso cuidadosamente os motivos que levam homens, que são iguais a mim, a praticarem tamanho ato de crueldade...

Tem noites que viro e reviro na cama buscando alternativas: não bastam corredores verdes,
tratados políticos que ficam apenas no papel, se a gente continua comprando carros, extraindo petróleo, emitindo gases... Teríamos que estacionar a produção do elemento mais tóxico ao planeta: o homem.

A terra chegou ao seu limite e dá fortes sinais de que está perecendo, morrendo, sufocando. Como não pode falar mostra sua agonia com aumento da temperatura, com desequilíbrio das estações, com o degelo dos polos e tantos outros berros. E nós fingimos, ignoramos o fato.

Vejo programas como “Whale Wars”, cuja finalidade é conscientizar o mundo contra a matança de baleias e me pergunto: com tanta tecnologia e informação será que os governantes do planeta precisam ser conscientizados de que as baleias estão sendo extintas?

Penso que governantes, são pessoas esclarecidas e que podem criar leis, acordos internacionais pelo bem do planeta. Bem simples: se cachalotes , sardinhas, atuns, esturjões, gadus estão a beira da extinção, precisamos parar de depredá-los e dar tempo para que reestabeleçam suas populações. Não precisa ser gênio pra saber que precisamos cuidar da saúde dos oceanos. Não precisamos gastar milhares de dólares conscientizando o que está estampado no nosso focinho: as riquezas naturais são finitas.

Tem dias que durmo, porque simplesmente esqueço-me das minhas dúvidas, incertezas e divagações...

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Feliz Natal!

 

Que nesta semana , eu já possa ver e sentir a paz e o amor que antecedem ao Natal! Muita paz a todos!

janela de Natal

quarta-feira, 20 de março de 2013

Do trigo do Nilo a cana do mundo

 

Rio Nilo

 

Eu amo o novo, mas tenho profundo respeito e paixão pelo antigo. Através do antigo escrevemos história. História de nós mesmos. História de como evoluímos. Também podemos tirar do antigo, base para não repetirmos tragédias, declínios.

Foi basicamente por alimento que Roma expandiu seu poderio durante o governo de Cesar. Foi por comida que tiraram do trono o último Faraó do Egito: Cleópatra. Não foi porque Marco Antônio vivia em luxúria com a linda rainha, mas porque Otaviano queria os grãos do tão farto Nilo.

Hoje buscamos não só comida, mas fontes alternativas de energia. Plantamos cana-de-açúcar em muitos lugares que plantávamos milho, trigo, arroz e muitos outros cereais e frutas. Deste modo, o mundo moderno precisa de mais suprimentos para se manter. E pelo menos dois suprimentos básicos: alimento e energia. Para produzir ambos desmatamos o pouco que resta da floresta primal e ao destruir a floresta estamos destruindo outro grande importante recurso natural e essencial à vida: água. E como se não bastassem toda esta problemática de produção exacerbada de recursos para suprir as necessidades deste período em que existimos, nós ainda agravamos produzindo em escala nunca vista antes, novos seres humanos. O mundo esta ficando sobrecarregado do bicho que mais deu certo neste planeta: o homem. E não damos conta disso. Fazemo-nos de desentendidos. Fechamos os olhos numa cegueira proposital.

Neste meu canto, lindo e mágico que construí para habitar com plantas e animais me pego pensando diariamente em algo que trouxesse alguma iluminação para o caos que se aproxima. Como homem do campo que fui, sempre soube da fragilidade das safras. Basta não chover na época certa que não se produz grãos, frutas etc. Não se produz alimento. O que temos de estoque de ração básica para alimentar quase sete bilhões de estômagos humanos? Aguentaríamos sete anos de safras péssimas?

Eu me pego pensando, indagando a mim mesmo e sempre são dúvidas, incertezas, divagações, solitárias e sem ecos.

sábado, 16 de março de 2013

Enfim…

 

 

Não sou religioso, embora tenha sido criado em família de católicos fervorosos, mas com relação a assuntos como:

1) aborto, permitir retirar uma vida, ainda que no ventre é o mesmo que permitir matar um ser humano adulto, até pior, pois é um ser totalmente indefeso; 2) sobre celibato obrigatório: o exercício do sacerdócio requer celibato, ou seja, é uma condição e se entra para o seminário sabendo desta regra, quem já é padre e quer ter esposa, simples demais da conta: deixa o exercício da fé e passe a viver como qualquer outro homem; 3) sobre casamento gay: é até um atraso na mentalidade dos gays que sempre foram libertários e quebradores de regras (ninguém está proibindo ninguém de ser religioso, apenas o casamento "aos olhos da igreja católica" tem a função da procriação); 4) sobre escândalos e crimes envolvendo padres: expulsão e e penas iguais a qualquer outro criminoso.
Temos que entender que a religião católica tem sua base nas escrituras sagradas e o papa, os cardeais, bispos, padres, párocos seguem o que em "tese" foi escrito pelos "santos", e as escrituras são inquestionáveis para a igreja. É questionável, claro que é, mas é questionável para quem não é religioso, e o que importa a religião pra quem não é religioso, para quem não vai a missa? Quem não é religioso deve apenas: RESPEITAR.
Para mim seria a grande iluminação do ser humano entender o real significado do verbo respeitar. Assim a gente pode até tirar de Jesus Cristo o "divino" e pensar nele apenas como homem que pregou dois verbos primordiais: respeitar e compartilhar. Seríamos muito, muito mais felizes praticando estes dois verbos, pode apostar.
Enfim, mistérios, dúvidas, incertezas e divagações.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

E o pastor falou…

 

Acabei de assisti a entrevista da Gabi com o pastor: eu não tinha assistido. Só reforça minha indignação. Historicamente as religiões protestantes surgiram para questionar a igreja católica (fundadora do cristianismo). Ganharam força com Henrique VIII que rompeu com Roma quando o papa não anulou seu casamento com Catarina de Aragão para ele se casar novamente com Ana Bolena. Ao meu ver já começou tudo errado. A igreja católica deveria cobrar direitos de uso da Bíblia, escrita pelos apóstolos (novo testamento, até porque depois de Cristo, só o que interessa é o novo tentamento); deveria cobrar royalties pelo uso do nome de Cristo, afinal quem manteve vivo, por 1500 anos, antes do surgimento das religiões protestantes, o nome e os ensinamentos de Cristo foi a Igreja Católica. Isso se a gente for pensar em dinheiro, influência e poder. Por outro lado se a gente for pensar nos ensinamentos de Cristo observa-se um tremendo uso da palavra "sagrada" da forma mais incorreta possível: 1- Jesus não deixou nada escrito como sendo suas leis; 2 - tudo o que é feito, proferido, ensinado é totalmente incoerente com o verdadeiro proposito de Jesus: amar, respeitar, compartilha, etc, tudo isso sem nenhum envolvimento financeiro, apenas praticar o bem sem benefício pessoal. Masssssss a vida gira em torno de dinheiro, poder, influência... enfim, dúvidas, incerteza e divagações... Amém!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Eu grito!

 

Eu teimo desde que nasci. E eu nasci preto, estrangulado pelo cordão umbilical, língua presa e, segundo minha avó Dita: eu nasci morto! Mas eu teimei e minha tia, também Benedita, e parteira me deu uns tapas na bunda e eu gritei. Eu grito! Eu aprendi a gritar desde o momento que apanhei pela primeira vez! E como eu gosto deste mundo! Tem dias que são tão negros, devastadores. Aqueles dias que a gente nem devia acordar para enfrentar tantos problemas, mas mesmo assim qualquer dia é um milagre, porque viver é poder observar os saguis no quintal, os pássaros voando; ouvir cigarras cantando, grasnados, grunhidos, latidos, miados, relinchos e ter desejo de pôneis cavalgando, nos campos que imagino. Eu tenho a força de mil cavalos apaches, no cio!

domingo, 27 de janeiro de 2013

Meu querido e falecido pônei…

 

Tem coisas que a vida nos tira, antes mesmo da gente beijar. pequeno raio de sol foi embora hoje, de forma trágica. Estou me sentindo traído, triste, inútil. Uma sucessão da fatos errados ocasionou o morte de meu cavalinho... O dia foi tenso. Acabei de chegar da UPA (Posto médico)  depois de uma taquicardia dos demônios. Yolanda Campana me perdoa por minha incompetência de cuidar do presente mais lindo que você me deu.

Foto

(O acidente aconteceu no Sábado, dia 26/1/13)

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Dúvidas, incertezas e divagações…

 

 

O facebook me pergunta: "Como você esta se sentindo, Urhacy?" Impotente!!! Estão destruindo nossas florestas, nossos animais, nossos mananciais... estão poluindo os oceanos. Estão, até, matando sereias... e eu? eu não consigo fazer nada para impedir que o planeta agonize.

 

Urhacy Faustino (no Facebook)

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Eu quero sim, quasar com você!







Minha permanência com você é sempre uma experiência de montanha russa,
ou um observar de telescópio, em silêncio, na noite escura: a grande ursa.
Depois varrer, vasculhar, caçar evidências — entre as constelações — de quasar
em ação! Como se precisasse: você é um buraco negro em total funcionamento:
atividade constante, força, atrito, contração, contradições, polaridades, ondas
e uma gravidade desconhecida, incomum que me puxa e me fixa em cada poro.
Cada ato seu é como os átomos que se aceleram com esta tua energia radioativa
contagiante. Gripe, encefalite, rinite, fome voraz e febre. Tudo misturado
e uno. Grande omelete com trufas , ovas de esturjão e jambu. Língua dormente,
sede! Sede de vinho e água de montanha. Boca úmida e apetite das baleias azuis!
Literalmente impossível fugir do teu imenso horizonte de eventos!!!
Com você é falida a teoria do Big Bang. Não, não é só uma gigante explosão!
Não é apenas um universo. Teu universo é complexo, é um Cenário Ecpirótico:
gigantesco, novo, ligado por cordas. Túneis de quasares: túneis de você mesmo.
Explorar tua essência tem sido um desafio astrofísico, onde não se aplicam
nenhuma das leis e teorias, mas confesso: no teu denso epicentro, me concentro.

Urhacy Faustino, hoje, 18 de julho de 2012
















domingo, 19 de fevereiro de 2012

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Os poderes do alho

 

Papai sempre planta alho

no dia de Santa Luzia.

“Dia certo para plantio

é colheita garantida”.

Palha de arroz sobre o canteiro

e nem precisa de chuva:

o orvalho cuida dele…

Depois, a colheita

e as tranças das réstias

secadas num varal,

sobre o fogo de lenha.

Fogo, terra, orvalho e ar…

“Crença?, nem pensar!'” — desdenha.

Papai insiste em negar.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Sexta-feira





Só paz,
não havia pernilongo voando.
Eu hibernava!

E hibernava
o uivo de mil lobos.

Era espera.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Anunciação

garota namorando um grafite

Não é sólido e nem tem corpo,

mas me enche de verdade.

Leve feito brisa me toma, sereno, toda noite.

Sua voz — de veludo e seda — me seda

e tenho sua silhueta meio fog, tênue e suficiente.

Assim é meu anjo meio gente!

Sempre aparece rindo — infalível contágio —

como dizer não?

Desarmo, desando, fico molinho...

Me derreto e arrisco no que o anjo quer.

 

Lembro Maria Helena e seu anjo-xícara,

tão frágil, tão preciso.

Leio Rilke e suas criaturas necessárias à alma.

Eu sempre invejei os possuídos

ou possuidores de seres inefáveis.

Hoje, envergonho-me da minha cobiça.

Precisava chegar a hora certa,

o meu anjo-fog não viria de véspera.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Terceiro domingo

fadas brincando de Maddalena Sisto57969-1627043968-8

Sete vezes acordou e sorriu,

durante a visita.

 

Nenhuma preocupação,

nada de siso.

 

Era sol!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Segunda quinta-feira

Gongora quinquinervis

Chegou na vida,

como chegam auroras.

 

Contornava dourado vivo

e ampliava.

 

Eu, coberto de rubro.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

 

Às vezes o anjo-fog

se torna aceso, indomável

fica fogo.

 

Às vezes, o anjo fogo

fica arisco, daí não arrisco,

porque foge.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

O sétimo dia



Era semente
e se fez broto —
inevitável como é o nascimento.

Era sopro
e se fez vento.

Era lento
e se fez veloz.

Era nós!

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Colibri deflora os chats - Sexo Amizade e Amor pela Internet

    Urhacy Faustino
    Capa: Vando Coutinho
    Prefácio: Leila Míccolis
    Editora Blocos, RJ
    romance, 224 páginas
    "Pela primeira vez alguém escreve sobre esta nova forma de contato. Tão intensa, tão falsa, tão verdadeira, tão confusa, tão explicita, tão implícita, tão rara, tão comum... viajo como um peregrino por suas páginas.
    Depois de ver como Urhacy Faustino dissecava o momento virtual em que vivemos, me dei conta de que o futuro tinha entrado pela porta dos fundos; e tudo mudara. As relações agora eram outras. Pautadas pela mescla do real e do virtual, ora se completando, ora se estranhando. Mas sempre criando um novo link: entre minha pessoa e um novo processo de conhecimento, ou de reconhecimento. A tela protegia, mas a fantasia ganhava asas nunca imaginadas. Provavelmente a internet seja hoje um dos poucos territórios realmente livres. A imaginação navega, os mares são inventados, mas os rochedos, reais."

    Alcides Nogueira
    dramaturgo e autor de novelas da TV Globo

    ......................................

    VÔOS CIBERNÉTICOS E TRANSGRESSÕES TRANSGREDIDAS EM COLIBRI DEFLORA OS CHATS: SEXO, AMIZADE, E AMOR PELA INTERNET (1997)

    Se vocês me permitirem, gostaria de abrir minha comunicação hoje com uma citação que, ao meu ver, destaca a estética poética do cibernético e, ao mesmo tempo, nos provoca a pensar em como teríamos reagido se Caetano Veloso tivesse cantado "Navegar é preciso" nesta altura da Internet oferecendo-nos tantas realidades simultaneamente virtuais. A passagem foi construída por um arquiteto norte-americano chamado Marcos Novak, ao apresentar uma comunicação no ano de 1990 (é-no outro milênio) durante O Primeiro Congresso Internacional de Ciberespaço na University of Texas at Austin. Não me atrevo a traduzir o verso para o português, pois prefiro que Caetano ou outro MPBista faça bem melhor o mesmo dever com a sua arte musical. É o seguinte:

    "Cyberspace is poetry inhabited, and to navigate through it is
    to become a leaf on the wind of a dream."

    Quem nos disse que a estética pós-modernista não nos permite um grau de romantismo, hein?
    Mas eu não estou aqui para poetar nem para surfar. Gostaria de curtir um vôo junto com vocês, uma peregrinação cibernética que nos leva a uma determinada sala de bate-papo (ou seja, chat room) nalgum território brasileiríssimo que paradoxalmente ocupa simultaneamente o ciberespaço universal e desterritorializado. Gostaria de problematizar noçðes de ficção durante esta viagem, da perspectiva pós-moderna, indagando como esse texto consegue ultrapassar os limites da transgressão já inscritos dentro dos parâmetros da teoria pós-modernista. Talvez a primeira transgressão deste texto que pretendo analisar hoje seja a impossibilidade da sua classificação genérica. Colibri deflora os chats: Sexo, amizade e amor pela Internet, escrito por Urhacy Faustino em 1997, resiste até a narratividade. Mas antes da nossa decolagem coletiva, vamos esperar só um minutinho para olhar as possíveis saídas do avião em caso de emergência e para contemplarmos o valor de participar desta viagem no primeiro lugar (e, espero, na primeira classe). Vale a pena acompanhar a viagem, especialmente no hi-tech "hiper-texto" da atualidade, os incessantes e inesperados choquinhos e buraquinhos eletrônicos provocando ansiedade e nojo no meio do caminho? Acredito que para entendermos melhor o pensamento pós-modernista feito ainda mais complicado em tempos cibernéticos, é preciso navegar, sim. Como afirma Marie-Laure Ryan na Introdução de Cyberspace Textuality: Computer Technology and Literary Theory, uma coletânea importantíssima de ensaios e artigos publicado em 1999 pela Indiana University Press: "In postmodernism, the ideal of the total work gives way to the idea of universal intertextuality: every individual text is linked to countless other ones, and the whole is reflected in every [one] of its parts . . . In the electronic age, thanks to the hyperlink, the text literally becomes a matrix of many texts and a self-renewing entity" (14).
    O texto que vou comentar com vocês tem muitos outros traços pós-modernistas, inclusive uma celebração lúdica-na verdade, quase que carnavalesca-e uma certa autorreferencialidade irreverente que quer testar os limites da sua própria transgressão. Como diz Robert Wilson no seu artigo fundamental, "Play, Transgression, and Carnival," a vontade de quebrar regras constitui parte fundamental do universo da transgressão na literatura pós-modernista. Wilson até define o uso de transgressão como uma espécie de rito de passagem entre o moderno e o pós-moderno, destacando que no universo do pós-moderno, "All language may be said to transgress itself: it always subverts, through its inherent abstractness and arbitrariness, the conventions of its speaking, or its writing, even if that is not readily perceived."
    Em Colibri deflora os chats, percebe-se muito bem este processo, colocando em prática exatamente o que Wilson destaca na teoria: uma qualidade mansamente brincalhona, uma postura lúdica quanto ao leitor e ao texto em si. Na verdade, uma entrada no infinito espaço de ciberespaço possibilita muitos jogos lúdicos de um processo que gostaria de chamar de "brincadeira produtiva." É muito bom lembrar o conceito que Marie-Laure Ryan destacou no seu texto referido um pouco antes: "If we live in a 'virtual condition,' it is not because we are condemned to the fake, but because we have learned to live, work, and play (AND PLAY) with the fluid, the open, the potential" (94). A força libertadora da transgressão pós-moderna (como quer Wilson) parece encontrar seu valor mais profundo justamente dentro deste universo repleto de infinitas possibilidades virtuais. Ryan expressa esta abertura para a liberdade sucintamente quando escreve: "The attitude promoted by the electronic reading machine is no longer 'what should I do with texts' but 'What can I do with them" (99).
    Colibri deflora os chats serve como um manual de possibilidades. Urhacy Faustino, artista, poeta, e "internauta" paulista, publicou este texto em 1997, apresentando ao leitor três personagens principais (ou seja, "screen names") da sua invenção: colibri; hhhh; e virgem. O principal objetivo para esta galeria de personagens é navegar a rede, voando, de madrugadinha, desde uma sala de chat para outra, em busca de compatibilidade cibernética, de cibersexo ou às vezes apenas uma boa dose de "redamizade." Ao longo dessas viagens eletrônicas, estas personagens também procuram entender (ou pelo menos exibir) as complexidades do instinto sexual humano e a construção de identidades cibernéticas em fluxo, revelando e descobrindo múltiplas subjetividades através de assumir uma variedade de máscaras carnavalescas, desfilando-se numa parada de "screen names" e "nicknames."
    Colibri deflora os chats leva o leitor a novos limites dentro do universo infinitamente aberto de transgressão. O texto nem deixa a gente contemplar com aquela velha perspectiva cética do pós-modernismo, querendo saber o que acontece quando a própria transgressão acaba se transgredindo, ou seja, is anything REALLY transgressive anymore? Vários teóricos da "e-culture," se me permitirem a expressão, já afirmaram que quando as palavras pulam da página para a tela, o processo de leitura vira mais flexível e interativo. O leitor, com este grande poder de modificar, de manipular, de sujar o texto, literalmente converte-se em seu autor. Existe também um paralelismo instrínseco entre as salas de chat e a ficção, pois todo mundo faz "scripts", inventando identidades, mascarando-se no palco. Um menino de 14 anos, por exemplo, pode se metamorfosear (ou seja, a pergunta frequentemente feita, "M or F", morf) virtualmente em mulher de 21 anos.
    Tudo bem . . . mas o que acontece-o que podemos dizer-quando as palavras flutuando na tela voltam para a página escrita, ironicamente fixando o "hipertexto" dentro de um posicionamento tradicionalmente rígido e permanente, ou seja, transgredindo o estado, digamos, "natural", da sua aparente liberdade e re-inserindo-se dentro da prisão da página escrita? É como se fossem palavras vivas, em construção contínua, transformadas em palavras mortas, estagnadas… Pensem na relativa liberdade do Carnaval antes do re-estabelecimento da "ordem" hierárquica depois daqueles dias dionisíacos de festa e de folia . . . Quais as implicações estéticas e as conseqüências formalistas evidentes na transposição de uma dança eletrônica de palavras encontrando-se limitadas novamente às páginas permanentemente marcadas de um livro, palavras transformadas em produto pronto para ser consumido? E o que nos indica este fetichismo de construir um transcrito, de tirar uma foto de palavras eletrônicas em movimento para que o dinamismo vivo delas se converta em apenas memória (em apenas aquela "folha no vento de um sonho")?
    Acho que encontraremos algumas destas respostas ao referir-nos ao texto em si. Colibri. . . lê-se como uma série de dez sessões de chat cujo principal fio organizador é as "viagens" dos personagens destacados. Como se classifica tal texto? A sua clara divisão em capítulos, o progressivo desenvolvimento dos personagens, e a consistência da temática gera uma certa continuidade que nos faz pensar no gênero romanesco, apesar dos enredos e situações pouco convencionais. Esta aparente continuidade estabelece-se também no final de cada capítulo, embora de uma maneira brusca e irônica, com as palavras "Transferência Interrompida." Cada sessão de chat termina de repente, sem resolução nem despedida. No entanto, o texto, uma coletânea de conversas que gostaria de chamar de "dial - log -ins," usa e abusa os meios eletrônicos da comunicação de uma maneira tão informal e espontânea que parecem imitar a convenção do diálogo que se encontra no teatro, tendo muito a ver com a arte da improvisação. O livro, pois, pode ser lido e apreciado também como peça de teatro. Mas existem várias outras (infinitas, eu diria) tipos de leituras: talvez o texto seja um estudo sociológico ou até antropológico de como os "internautas" se encontram, se perdem, e se desdobram nas salas de chat. Ou talvez a narração sirva para apresentar uma nova língua do novo milênio, empregando um hiper-texto experimental baseado nas convenções da "redês" (ou seja, a linguagem da Internet), inclusive a falta de acentuação, a falta de letra maiúscula, a falta de pontuação, tipo negrita para expressar desabafos emocionais, descuido com a ortografia correta, e outras feições do tipo? Será que o emprego deste novo "jargão" chega a criticar uma linguagem particular neologistica e ceticamente identificada no texto como "CHATura"? Tem mais possibilidades, mais potencialidades, mas como o tempo da nossa sessão se mede em "real time," vou apenas destacar mais três modos de possível interpretação. Colibri… tem o valor cinemático e performativo de uma tele-novela, embora não atinja a alta qualidade que esperamos da novela brasileira. Por outro lado, o leitor crítico até pode perceber o texto como se fosse um manual de instrução pseudo-didático, ditando comportamentos responsáveis enquanto se visita as salas de chat. No lugar do convencional Prefácio ou Nota do Autor, o leitor encontra uma listinha meio séria consistindo de dez ítens, oferecendo as "Dicas para um bom relacionamento sexual, amigável ou amoroso, pela rede." Mais interessante ainda é o fato que este texto de certa maneira atualiza a fantasia pós-moderna (e portanto o pesadelo do crítico literário) de misturar e confundir quaisquer diferenças entre autor, personagem, ator, e espectador.
    Apesar da enorme versatilidade de possíveis classificações, gostaria de oferecer, nos poucos minutos que me restam, uma leitura "sacanagística" deste texto, se me permitirem uma transformação neologística do substantivo "sacanagem" para seu equivalente e inexistente adjetivo. Em Colibri deflora os chats…, predomina a imagética de pássaros e de vôo. A protagonista colibri se caracteriza como carioca de 17 anos em estado de "quase virgem." Só depois de chegarmos ao quinto capítulo é quando entendemos o significado do "screen name" que ela adotou. Durante uma das suas ciber- conversas, ela tecla: "colibri e um passaro tropical que vive de nectar e por isso tambem e conhecido como beija-flor. Uma delicadeza que so a natureza poderia criar (91)." Interessante notar aqui, de passagem, o contraste estabelecido entre a natureza e a tecnologia. Durante Capítulo 1, "O primeiro vôo," colibri sustenta um violento ataque eletrônico feito por um chatter (digamos "chateiro"?) chamado de "Bob." Este "Bob" insiste para colibri revelar se é homem ou mulher para que ele possa seguir com suas fantasias sexuais. Depois de ignorar pela terceira vez a pergunta do persistente Bob, aliás, ironicamente querendo estabelecer certezas definitivas apesar do caráter totalmente fictício do chat, colibri responde finalmente, em texto do tipo negrito (ou seja, gritado): "…respondendo a tua pergunta: depende da tua fantasia. A principio colibri é colibri" (17). Depois deste assalto sobre uma identidade enigmática que ela queria manter escondida, colibri se recupera e relata o incidente a outro chatter, que acaba defendendo colibri e atacando o Bob, desta vez com letras negritas E simultaneamente maiúsculas. Colibri agradece o apoio e dá-se conta que seus vôos cibernéticos podem ser até perigosos, pois outra raça de pássaro bem mais agressiva também ocupa as mesmas ondas de ciberespaço: "cara, voce nem me conhece e me defendeu. Vou seguir o teu conselho: cuidarei do meu voo e evitarei os urubus" (17). Aprendendo aos poucos as regras do jogo, por assim dizer, a nossa colibri vira cada vez menos "virgem" e mais "esperta".
    Os urubus que abundam não são os únicos malandros do texto com vontade de cometer sacanagem no seu sentido negativizado. Na verdade, o pior vilão em todo o território do ciberespaço é, sem dúvida, o "hacker." Este personagem aparece ao longo do capítulo chamado de "Sexo virtual ménage," procurando assumir e representar a identidade de outros "screen names" com a cruel meta de estragar novas amizades cibernéticas em formação! And he or she would have won, too, if it had not been for colibri, de certa maneira nossa heroína! Quando ela se dá conta do "e-sacana," começa a avisar para todos os outros participantes da sala de chat que todos estão sendo enganados por um voyeur possuindo as identidades (ou seja, os screen names) de outros chatters na sala. Grita: "GENTE, TODAS AS MENSAGENS QUE NAO TEM NICK ANTES DOS DOIS PONTOS SAO FALSAS . . . ATENCAO!!!" (102). Interessante notar a insistência em realidades solidificadas, dado que o meio da comunicação é virtualmente impossível. O / A "hacker" consegue mascarar-se usando e abusando a identidade de outros personagens na sala, temporariamente provocando interações hostis entre os "internautas." Este aspecto meio carnavalesco do vôo constitui apenas uma entre várias expressões metafóricas de adotar, assumir e desempenhar identidades performativas pós-modernistas. Na verdade, o leitor crítico não consegue fugir do seu próprio estado de vítima, pois os diálogos ao longo do texto são cheios de enganos e desilusões-enfim, sacanagem por excelência. Reconheça quanto reconhecer os traços, as características dos personagens no texto, o leitor cuidadoso permanece na dúvida. Por exemplo, o primeiro "screen name" a revelar seu "nome verdadeiro" (se nele acreditarmos), faz isso-e com muita cautela e resistência-somente durante o sexto capítulo. Personagem secundário MATT DILON perde sua grandeza a se transformar em "just" Leonardo, encorajado a revelar seu nome verdadeiro enquanto bate o papo com "virgem," com quem percebe uma crescente intimidade "internauta." O suposto desmacaramento do Leonardo provoca outro "coming out," desta vez bem mais pessoal: virgem se desmacara e transforma-se em Fabrizio, identificando-se como homem gay que supostamente nunca vivenciou uma experiência sexual com outro homem. O primeiro personagem a fornecer informações "reais," ou seja não-virtuais, faz isso somente ao final do nono capítulo, quando virgem / Fabrizio lhe dá seu telefone e endereço residencial para matt dilon / Leonardo. O capítulo nove chama-se "Adeus, virgem," refletindo muito bem a decisão deste personagem de abandonar a segurança conseguida pelo nome "virtual" e virar dono do seu nome "real." Nesta altura do diálogo, Leonardo e Fabrizio combinam um encontro "real," ou seja físico, mas esta reunião não se desenvolve no texto. E com boa razão: a realidade não-virtual não entra nas suas páginas.
    Colibri, por outro lado, cultiva sua identidade cibernética de tal maneira que, ao proclamar seu afeto pelo Eros, ela insiste, quebrando o coração cibernético dele: "so posso ser tua pela Internet" (21). A quentemente debatida questão da monogamia se encontra relevante também na esfera dos encontros virtuais, pois Eros acusa colibri de infidelidade simplesmente porque ela resolveu estabelecer e manter relações cibersexuais com outros chatters que freqüentam a sala. Interessantemente, colibri equivale sexo virtual com virtude em si, destacando em determinado momento que "nosso namoro e virtual, virtuoso." Na verdade, a virgindade e a virtualidade são repetidamente justapostas ao longo do texto. Com a crescente subordinação de noções físicas da realidade baixo a superioridade da realidade virtual, acontecem alguns momentos marcantes e deliciosamente engraçados, como quando um hhhh sexualmente frustradinho grita para ZOOFILA: "nao estou sentindo sua chupada. Voce esta me chupando ou nao??????…" (110). Durante vários encontros estabelecidos pela sala de chat, um personagem recebe por acaso (ou talvez interceda propositalmente) uma mensagem direcionada a outro chatter, revelando portanto um entre vários perigos de tais vôos.
    Mas ali não pára a sacanagem do texto, não. Ao longo do livro, o gênero (no sentido de "gender") muitas vezes resulta ser ambíguo, alguns personagens assumem simultaneamente múltiplos "screen names" e outros entram em duas salas de chat ao mesmo tempo, sob a máscara de diversas identidades. Interessante notar aqui que a tensão dramática implícita entre apenas dois personagens da sala, contrastada com ricas interações e jogos de sedução entre a inteira comunidade "chateira" talvez sirva como metáfora descrevendo como é tão diferente nosso comportamento social durante situações grupais comparado com ambientes ocupados por apenas duas pessoas. A heteroglossia bakhtiniana exemplificada em diálogos com vinte ou mais "screen names" conversando (pois é, teclando) ao mesmo tempo durante qualquer momento determinado da narração pode enjoar, desorientar, e confundir até o leitor mais perspicaz. Talvez interpretemos essa técnica como sendo uma reconfiguração pós-modernista da problemática de pseudonímia, ou em alguns casos, da heteronímia. Os personagens, na verdade, procuram cumprir o futil sonho modernista de Fernando Pessoa quando se desdobrou em Álvaro de Campos, ao tentar atingir um estado utópico da existência possibilitando o "Ser tudo de todas as maneiras." Talvez este sonho se transforme em realidade virtual, alcançada por produtivos vôos feitos no ciber-espaço . . .
    Para terminar este nosso vôo juntos, gostaria de apontar para minha própria experiência desconcertante na hora de ler esse texto. Para realmente compreender o desenvolvimento psicológico dos relacionamentos afetivos entre os vários "screen names," tive que ignorar o "barulho" da conversa fiada de outros personagens secundários, interagindo de maneira tão superficial, me distraindo dos diálogos mais intimistas estabelecidos nas comunicações interativas da colibri, hhhh, e virgem. Neste processo frenético de tentar privilegiar a voz de poucos num universo completamente polifônico, tive a vaga sensação de ter me transformado em voyeur, patetica e urgentemente querendo saber das conversas cibersexualizadas trocadas de madrugada-encontros imaginários, sim, mas virtualmente possíveis
    .
    É, é verdade--eu, como crítico literário, me converti no "hacker" mais violento do texto. Depois de chegar meio que abruptamente no "Fim da conexão," ou seja, no finalzinho do texto, me pergunto se minha navegação foi feita em vão, se realmente valeu a pena? Respondo que navegar foi preciso, sim. Mas confesso uma pequena sacanagem da minha própria invenção: curti, afinal de contas, uma viagem de barco e não de avião. Foi preciso navegar num navio carnavalesco para testar os limites da linguagem, passando das páginas impressas de um livro, viajando até as palavras dinâmicas produzidas pela tela do computador, e voltando novamente-fim do Carnaval-para as páginas consagradas do livro. Durante a viagem, senti a nítida sensação de estar afogando, sim, mas sobrevivi. Enfim, escorreguei e mergulhei no imaginário cibernético da sala de bate-papo com este romance.
    Para encerrar esta minha comunicação sobre a virtualidade, gostaria de reiterar principalmente sua ligação com a ficção, e portanto, o tema do nosso painel de hoje. Para fazer isto da maneira mais eficiente, cito apenas duas sentenças escritas por Miriam Alves no seu artigo, "Lésbica Virtual--Configurações de uma Cibercultura": "O olhar virtual captura o outro naquilo que deseja ser capturado e da forma que deseja ser capturado e capturar. Pode-se ser o que quiser: idade, sexo, profissão, aspecto físico, história pessoal; em outras palavras, escolhe-se um aspecto da própria vida ou inventa-se um, como quem cria uma personagem. Criando-se um enredo, faz-se o que se quiser, estabelece-se uma inter-relação com o outro, numa interface" (67).

    Steven F. Butterman, Ph.D.
    Comunicação p/ AATSP Annual Meeting
    Rio de Janeiro, Brasil
    Sexta-feira, dia 2 de agosto (11.45 - 1)

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

terceira sexta-feira

 

Sete vezes tocou a pele,

durante todas as horas.

 

Nada desapercebeu,

nenhum poro.

 

Era extremo!

Urhacy Faustino

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Quinta-feira

 

Só silêncio,

não tinha relógio aqui.

Eu calado!

 

E calado

o canto de mil cigarras.

 

Era descanso.

Urhacy Faustino

Do livro Gênese revisitada – Luas —

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

O anjo-fog

O anjo tornou-se parte —
é mais que fog, é anjo-arte.
Urhacy Faustino
Do livro Gênese revisitada – O anjo-fog

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O segundo dia

Era medo
e se fez coragem —
ávido como é o mar.

Guardava segredos,
que mais selados
ficavam encantos.

Oscilou,
vergou,
amenizou-se…

Virou riso.
Urhacy Faustino

Do livro Gênese Revisitada – A criação.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O primeiro dia

 

Era letra

e se fez som —

tangível em mim como é o meu sangue

 

Viajou minhas veias

à sua velocidade.

Virou orquestra.

Urhacy Faustino

 

Do livro Gênese Revisitada – A criação.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

o dia do caçador

    Não é o colibri que passa apressado na minha casa,
    é o colibri que beija, sexualiza a flor batendo asa.
    Não é a poesia que sai de uma noite insone
    como que no desespero falasse seu nome.
    Não é a vida que se leva rasgada de muitos amores,
    é o amor regado de duas vidas ímpares e multicores.
    Não é a palavra certa após o ato falho,
    é o conjunto dos gestos que verbaliza o trabalho.
    Não é a estrutura perfeita que faz o verso
    é o subtexto que se descobre imerso
    nas entrelinhas de uma obra aberta.
    Não é a perseguição em lúcido desvario,
    não é a idéia brilhante em descoberta,
    mas a escuridão deflorada pelo desafio.

    Urhacy Faustino -  Poema do livo: "Sonhos e Confiscos", Blocos, 1997, RJ

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Ode et amo, serpentes e colibris

"todo anjo é terrível! E eu os invoco, criaturas quase inefáveis a alma, sabendo quem sois.”                                                          

rainer maria rilke – praga, 1875.

 

se  rilke  não  tivesse existido eu o  inventaria, igualzinho ao que ele foi: filósofo, poeta, sábio, mestre e tcheco.

ODEIO   APENAS:   mentiras   e   beterrabas,  beterrabas até engulo cruas, mentiras  nem cruas,  nem nuas, nem com casca... porque mentiras apodrecem a ALMA..

ABOMINO:   falta  de  caráter,   pobreza   de  espírito, inveja, cobiça,  rancor,   falcatruas,   traições,  intrigas, desonestidade, serpentes, escorpiões, máscaras, porque tudo DESTRÓI.

DESPREZO:  a  falta de solidariedade, a falta de amor próprio,  o egoísmo, o egocentrismo, a futilidade,  a avareza, o orgulho, a covardia, porque tudo DIMINUI.

AMO:  a vida,  a verdade  absoluta,  o caráter,  a dignidade,  o glamour,  a simplicidade,  a honestidade,  a força,  a vontade, a luta,   o prazer,   o belo,   o poder   da  doação,  a  amizade,  a escolha,  a  hombridade,  a coragem,  o desnudar  de   alma,  a entrega   plena...  a capacidade  de:  dividir, olhar, tocar, sentir, acreditar, deitar, beijar,  lamber,  ouvir, degustar, a coragem de expor  medos  e  fraquezas,  a coragem  de olhar por dentro da gente  mesmo e admitir  que,  mesmo tentando nos transformar, somos  humanos e  erramos.  porque  tudo  é poético,  mágico, encantador  e   CONSTRÓI   e  se  constrói,  até   a  divisão é sinônimo de SOMA.

EU,  urha,  sou o caçador de encantos,  e  só quero lirismo que liberta,  pois o colibri tem que voar para sugar o néctar fresco e doce  da  jovem  e  colorida  flor de hibisco todas  as manhãs...  vinde a mim os passarinhos,  quando  quiserem  e  se quiserem, porque para mim, amor é LIBERTAÇÃO.

sigo  só, vagalumeando sozinho,  mas sempre na direção da luz, da paz,  da harmonia, da beleza, da crença e do amor absoluto, porque  quero  levar  desta   vida  o  doce,  o  bom,  o  belo,  e principalmente o ingênuo e puro, porque dentro de mim  cultivo a  criança  eterna  que  sempre  terá  rosto  e forma, que ri, que chora,  que  acredita,  que  pensa,  que  doa,  que  brinca,   que sonha, que tem medo,  que tem fraquezas,  que tem forças, que verga,  que quebra,  que junta, que corre, que pára, que (acima de tudo)  vê  a  alma de quem entra no seu mundo e que atende pelo nome de urhacy faustino.

Urhacy Faustino